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	<title>Ferrasso AdvogadosFerrasso Advogados &#187; Supremacia quântica</title>
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		<title>Google publica estudo sobre &#8220;supremacia quântica&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Oct 2019 19:11:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VINICIUS FERRASSO DA SILVA</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Supremacia quântica]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O estudo do Google sobre um experimento de “supremacia quântica” realizado com um processador capaz de calcular em três minutos o que, a princípio, levaria 10.000 anos, e que vazou em setembro por engano, foi publicado na revista “Nature” nesta quarta-feira (23).</p>
<p><img src="https://cdn-istoe-ssl.akamaized.net/wp-content/uploads/sites/14/2019/10/91fa03e0b046fce356d232739953dad91088a36b.jpg" alt="Google publica estudo sobre ‘supremacia quântica’" /></p>
<p>Brevemente divulgado (e depois retirado) no portal da Nasa (a agência espacial americana), o estudo foi revelado pelo jornal “Financial Times” em 21 de setembro.</p>
<p>Nele, uma equipe de pesquisadores do Google descreve como conseguiu criar um processador, chamado Sycamore, capaz de realizar um cálculo em 200 segundos, enquanto uma supercalculadora “clássica” teria precisado, para a mesma tarefa, segundo suas referências, de “cerca de 10.000 anos”.</p>
<p>“Esta aceleração fenomenal, comparada com todos os algoritmos clássicos conhecidos, é uma experimentação da supremacia quântica”, explicam os pesquisadores na Nature.</p>
<p>O equipamento é muito esperado no mundo da informática. A expectativa é que venha a ter um impacto considerável na capacidade da sociedade de processar as informações.</p>
<p>Já existem aplicações concretas que usam sistemas híbridos de informática clássica e quântica. Uma delas pode, por exemplo, resolver rapidamente “o problema do viajante comercial” que deve otimizar seu trajeto para ir a 100 cidades diferentes.</p>
<p>– Vários estados ao mesmo tempo –</p>
<p>O Sycamore conseguiu fazer funcionar um programa com 53 qubits (bits quânticos), a unidade mínima da informática quântica. Ao contrário do que acontece com os bits dos computadores clássicos, que podem ficar em apenas dois estados, 0 ou 1, os qubits podem se encontrar em vários estados ao mesmo tempo.</p>
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<p>A pesquisa em Informática quântica, que apareceu nos anos 1980, se apoia em um dos princípios da Física Quântica, o da superposição. Segundo esta mecânica, um objeto pode ter dois estados ao mesmo tempo, ou seja, uma moeda é, simultaneamente, cara e coroa. No mundo “clássico”, a moeda poderia ser apenas uma coisa, ou outra. Nunca as duas ao mesmo tempo.</p>
<p>Esta superposição de estados cria um “paralelismo” que permite fazer vários cálculos de uma vez, explica o pesquisador em Informática Jean-Paul Delahaye.</p>
<p>Deste modo, chega-se “a algoritmos sem equivalente no mundo clássico, que até nos custa representar”, diz o físico Daniel Hannequin, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS, na sigla em francês).</p>
<p>Qualquer objeto é quântico, “mesmo você e eu”, diz este pesquisador do renomado instituto francês. “Mas estas propriedades quânticas são perdidas muito rapidamente e, quanto maior o objeto, mais rápida é a perda”, completa.</p>
<p>É um mecanismo contra-intuitivo que “mesmo os cientistas mais imaginativos têm dificuldade para entender, já que não acontece no nível sensível”, explica à AFP Audrey Loridan-Buadrier, da Fundação Mines-Télécom, que forma futuros engenheiros nesta tecnologia.</p>
<p>A manipulação dos qubits é delicada, pois é difícil estabilizar seu estado quântico – seja pela falta de átomos simples, frios, seja porque estão totalmente isolados do mundo exterior.</p>
<p>“Ao superar esta etapa importante, demonstramos que a aceleração quântica é realizável no mundo real, e não está limitada a leis físicas escondidas”, destacam os pesquisadores da Google.</p>
<p>Em um post em seu blog nesta quarta, o CEO da Google, Sundar Pichai, cita a frase do Prêmio Nobel de Física Richard Feynman, que resume a dificuldade da matéria: “Se você acha que entendeu a mecânica quântica, você não entendeu a mecânica quântica”.</p>
<p>Depois do vazamento do estudo, vários especialistas pediram cautela, afirmando que este cálculo específico “não serve para nada” e que a chegada de um computador quântico universal não é algo para já.</p>
<p>A informação da Google coincidiu com um anúncio da IBM, outro peso pesado na corrida quântica. A empresa afirma que colocará on-line uma máquina quântica de 53 qubits (potência equivalente à máquina da Google), à qual pesquisadores e desenvolvedores poderão ter acesso.</p>
<p>– Criptografia ameaçada –</p>
<p>Apresentado como o Santo Graal, este equipamento seria capaz, graças a algoritmos muito potentes, de romper os sistemas criptográficos chamados “RSA”, usados atualmente na informática mundial.</p>
<p>O algoritmo quântico mais promissor é o Shor, capaz de fatorizar tão rápido quanto multiplicar, enquanto em um cálculo clássico há uma diferença no tempo de resolução entre as duas operações.</p>
<p>“Se eu pergunto de quais números o 437 é produto (uma fatoração), vai levar tempo para averiguar. Em contrapartida, se eu peço que multiplique 19 x 23, chegará muito mais rapidamente a 437”, explica Hannequin.</p>
<p>Até agora, a quântica conseguiu fatorizar apenas números de 7 ou 8 algarismos, enquanto o computador clássico é muito mais potente, ressalta Delehaye.</p>
<p>Quando um computador quântico universal conseguir executar o algoritmo de Shor em grande escala, com números de 100 algarismos, será possível falar em “supremacia quântica”.</p>
<p>Essa mudança colocará em xeque toda criptografia que rege nossos códigos de segurança (nos cartões de crédito, por exemplo) e que está fundada no comprimento de fatoração (o algoritmo RSA).</p>
<p>Para compensar esta ameaça, a pesquisa em criptografia resistente tenta se antecipar.</p>
<p>“É até mais avançada do que o computador quântico”, garante Hannequin.</p>
<p>&nbsp;</p>
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