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	<title>Ferrasso AdvogadosFerrasso Advogados &#187; REGIS FERNANDO DA SILVA</title>
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		<title>Racismo no futebol, até quando?</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Feb 2014 17:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VINICIUS FERRASSO DA SILVA</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[REGIS FERNANDO DA SILVA]]></category>
		<category><![CDATA[VINICIUS FERRASSO DA SILVA]]></category>

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		<description><![CDATA[É possível imaginar uma Copa do Mundo sem os atletas negros? Pasmem: isso poderá ocorrer em apenas 4 anos. E o grande motivo são os contumazes atos racistas da torcida russa em partidas de futebol, país que será sede da <a class="more-link" href="http://www.ferrasso.com.br/blog/?p=1409">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É possível imaginar uma Copa do Mundo sem os atletas negros? Pasmem: isso poderá ocorrer em apenas 4 anos.</p>
<p>E o grande motivo são os contumazes atos racistas da torcida russa em partidas de futebol, país que será sede da próxima Copa do Mundo, em 2018.</p>
<p>Infelizmente, o apupo da torcida contra jogadores negros tem virado uma cena comum em jogos, principalmente, no leste europeu e agora na América do Sul. Dentre outras barbáries, os gritos imitando macacos e, inclusive, o arremesso de bananas nos jogadores são atitudes que tem chocado aos que acompanham o esporte mais de perto.</p>
<p>Tais atos tem se espalhado pelo mundo inteiro, e tem mostrado que chegou a hora de um debate, a fim de por um ponto final no preconceito racial no esporte.</p>
<p>Entretanto, de forma alheia aos acontecimentos, a FIFA não toma qualquer tipo de atitude para no mínimo coibir, ou pelo menos amenizar, esse cenário que, de forma alguma, deve ser aceito como “comum”.</p>
<p>Diversos jogadores já sofreram este tipo de agressão. Prince Boateng, por exemplo, em um amistoso na Itália, quando defendia o Milan, sofreu com a torcida imitando macacos toda vez que tocava na bola. Outro exemplo foi o de Roberto Carlos, que jogando pelo Anzhi, em uma partida na Rússia, recebeu uma chuvarada de bananas na cabeça. Contudo, foi o ocorrido com Yaya Touré, jogador de Gana, desencadeou a situação de revolta, e recentemente o jogador Paulo Cesar Tinga, ex-Grêmio e ex-Internacional, sofreu também com a torcida adversário imitando macacos quando ele estava com a bola.</p>
<p>Ironicamente, quando a UEFA instituiu a campanha “Semana de Ação do Futebol Contra o Racismo na Europa”, o jogador Yaya Touré foi vítima de racismo na partida entre Manchester City e CSKA, na Rússia.</p>
<p>Já a CONMEBOL que é conhecida pela não punição, sequer faz campanhas contra o racismo, ocorre que dessa vez a repercussão o dos atos racistas na partida entre Cruzeiro e Real Garcilaso tiveram uma abrangência mundial.</p>
<p>Para fazer eco ao levante contra o racismo, a presidente Dilma também mostrou sua indignação, inclusive cobrando da FIFA que seja realizada campanha contra o racismo na Copa do Mundo no Brasil.</p>
<p>No caso Touré, que pela primeira vez um jogador de futebol negro resolveu não se calar, e soltou um grito liberdade. Yaya Touré foi à imprensa e em entrevista ao Daily Mail desabafou: “é um problema real aqui, algo que acontece o tempo todo, e é claro que eles precisam resolver o problema antes da Copa do Mundo. Caso contrário, se não tivermos confiança para ir à Copa do Mundo na Rússia, nós não iremos”.</p>
<p>Já Tinga em entrevista a <em>TV Globo Minas</em> disse: “Eu queria, se pudesse, não <a title="http://www.gazetaesportiva.net/noticia/2014/02/cruzeiro/tinga-condena-ato-racista-de-torcedores-peruanos-e-se-diz-chateado.html" href="http://www.gazetaesportiva.net/noticia/2014/02/cruzeiro/tinga-condena-ato-racista-de-torcedores-peruanos-e-se-diz-chateado.html" target="_blank">ganhar</a> nada e ganhar esse titulo contra o preconceito, trocava todos os meus títulos pela igualdade em todas as áreas”.</p>
<p>É inacreditável que ainda hoje os jogadores negros sejam vítimas do preconceito e que, por vezes, sofrem as mesmas torturas no futebol que sofriam em tempos de escravidão.</p>
<p>O desporto, por sua essência, além de proporcionar equilíbrio à saúde e entretenimento, sempre teve a especial característica de objetivar a interação entre os diversos povos e culturas, por meio de uma paixão comum. Mesmo o futebol de alto nível e a Copa do Mundo têm essa característica bastante clara. Logicamente que o lucro sempre esteve de mãos dadas com esse discurso, mas é inegável que, de certa forma, os grandes eventos desportivos sempre propiciaram essa interação entre as culturas e etnias.</p>
<p>É estarrecedor que a entidade maior do futebol mundial feche os olhos para os atos de racismo que se repetem. A FIFA está deixando e muito a desejar no quesito punir e coibir o racismo no futebol. Por mais que faça vez ou outra alguma campanha contra o racismo, são necessárias atitudes mais drásticas para que a situação não fuja do controle.</p>
<p>Esse posicionamento firme que falta em relação aos atos de racismo, sobra no que diz respeito ao vandalismo e violência das torcidas. Lembrem que certa vez a Inglaterra ficou sem jogar o mundial em razão de sua torcida violenta, episódio em que a UEFA foi severa e puniu de forma correta. Em contrapartida, quando o assunto é racismo, tanto a UEFA e CONMEBOL quanto a FIFA não tem essa mesma energia de punir.</p>
<p>Será que FIFA CONMEBOL e UEFA não veem o racismo como uma violência?</p>
<p>Após o desabafo de Touré e Tinga, acendeu uma luz amarela para a UEFA, CONMEBOL e principalmente para a FIFA, pois é impossível imaginar uma Copa do Mundo sem os atletas negros.</p>
<p>A UEFA aplicou uma punição ao CSKA, a de jogar com seu estádio parcialmente fechado, mas convenhamos que ela é branda demais frente a gravidade da situação.</p>
<p>Enquanto a CONMEBOL está abrindo um investigação sobre o caso, e que dificilmente terá alguma punição severa.</p>
<p>Além da UEFA, CONMEBOL e da FIFA, os países ligados a essas entidades também devem ser mais severos e criar mecanismos jurídicos que sejam eficazes para a punição dos torcedores que praticam atos racistas.</p>
<p>Talvez a FIFA não estivesse sendo mais enérgica por conta de interesses pessoais de seu atual presidente, que poderia, quem sabe, perder muitos votos com punições severas antes das próximas eleições.</p>
<p>Só que diante de tamanha inércia, veio o grito de basta: Touré soube atacar o ponto fraco da FIFA: a Copa do Mundo. A inércia da FIFA, agora, pode por em risco o seu evento de maior lucratividade.</p>
<p>Ainda é muito cedo para dimensionar o que ocorrerá daqui a 4 anos, mas não se visualizam grandes mudanças ao atual quadro, por diversas questões, e uma delas é a questão cultural.</p>
<p>Na Rússia essas cenas de racismo são comuns, e não serão mudadas em 4 anos, porém, se houver uma punição efetiva no âmbito desportivo, possivelmente tais atos possam ser expressivamente reduzidos.</p>
<p>Na América do Sul, também tem sido recorrente cenas de racismo, mas o que aconteceu no Peru nessa semana na partida entre Cruzeiro e Real Garcilaso foi o estopim para desencadear toda essa indignação.</p>
<p>A CONMEBOL tem mecanismos para punir o Real Garcilaso, mas dificilmente Tribunal Disciplinar da CONMEBOL irá aplicar a pena máxima do art.12 do Código Disciplinar.</p>
<p>O artigo 12 do Código Disciplinar tem o seguinte texto:</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Artículo 12. Discriminación y comportamientos similares</em><em></em></p>
<p><em>1. Cualquier persona que insulte o atente contra la dignidad humana de otra persona o grupo de personas, por cualquier medio, por motivos de color de piel, raza, etnia, idioma, credo u origen será suspendida por un mínimo de cinco partidos o por un periodo de tiempo específico.</em><em></em></p>
<p><em>2. Cualquier asociación miembro o club cuyos aficionados incurran en los comportamientos descritos en el apartado anterior será sancionados con una multa de al menos USD 3.000.</em><em></em></p>
<p><em>3. Si las circunstancias particulares de un caso lo requieren, el órgano disciplinario competente podrá imponer sanciones adicionales a la asociación miembro o al club responsable, como jugar uno o más partidos a puerta cerrada, la prohibición de jugar un partido en un estadio determinado, la concesión de la victoria del encuentro por el resultado que se considere, la deducción de puntos o la descalificación de la competición.</em><em></em></p>
<p><em>4. Se prohíbe cualquier forma de propaganda de ideología extremista antes, durante y después del partido. A los infractores de esta disposición les serán de aplicación las sanciones previstas en los apartados 1 a 3 de este mismo artículo.</em><em></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A pena é branda para o discriminação, pois é prevê o pagamento de multa ou jogar com os portões fechados, e não há de se considerar isso uma punição para um ato tão grave.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se a própria UEFA não aplica pena máxima para os casos de racismo, a CONMEBOL não o fará, ainda mais excluir um clube da sua principal competição. Até menos por não existir previsão legal para isso.</p>
<p>Ainda está a grande semântica e o problema, mecanismos disciplinares e legais existem, ocorre que eles não são aplicados, nem pela FIFA, UEFA ou CONMEBOL.</p>
<p>Jamais as entidades reguladoras do futebol excluíram um clube ou país de suas competições por racismo. Não estaria na hora de isso ocorrer? Agora é o momento de ter-se o grande exemplo punitivo.</p>
<p>Percebe-se um cenário delicado, onde as entidades organizadoras das grandes competições não têm atuado com maior vigor, principalmente no tema racismo.</p>
<p>E para que exista uma mudança, além da punição, que coíbe o ato já praticado, deve-se iniciar um debate serio acerca do tema, com o real objetivo de acabar com o racismo no futebol.</p>
<p>Esses próximos 4 anos serão imprescindíveis para que a FIFA reaja contra o racismo no futebol a fim de que tenhamos um Mundial seguro, tanto para os jogadores quanto para os torcedores negros.</p>
<div> <span style="color: #888888;">Fonte: Regis Fernando Freitas da Silva </span></div>
<div><span style="color: #888888;">Especializando em Direito Desportivo (INEJE)<br />
</span></div>
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